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quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

O TEMPO EM REVOADA

Brinque na chuva
a tempestade pode não passar...
seja mão e  luva
a reta e a curva
o céu e o lar.

Todas as ruas
e caminhos
você pode estar...
num beco num sonho
 num querer medonho
se reescrever.
na lua gemendo sua
luz remoendo
para amanhecer.

O tempo em revoada
a desaperceber
já fez sua morada de amor morrer.
Saudade enamorada
não quer esquecer
do tempo jovial dançando tão traquino-
menino sem cabresto-
em desatino
virou pelo avesso o seu destino

 Derrape na curva
a sanidade pode não sanar.
sua ação e aceno
ao mundo pequeno
pra recomeçar.

todos as luas
nos caminhos
vão te iluminar
é um foco é uma febre...
 é  um santo sumiço...
uma rua crescendo
que vai se retorcendo
e faz rebuliço.

O tempo em revoada
a desaperceber
já fez sua morada de amor morrer.
Saudade enamorada
não quer esquecer
do tempo jovial dançando tão traquino...
menino sem cabresto
em desatino...
virou pelo avesso o seu
destino.

Gilberto Felinto.

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

APENAS IR ME


Quero ir me apenas...
partir em qualquer direção
sem a certeza do sim
ou a aspereza do não.

quero ir me apenas
sem solene despedida...
na incerta e desmedida
emoção...
de quem perdeu ganhou
e bateu levou na vida.

quero ir me apenas...
sem trancar o portão
nem abrir a ferida.
sem limpar o porão
sem retorno e acolhida.
sem pássaro na mão
sou a ave abatida.

quero ir e voltar
como água do mar
a enchente a vazante
o nascente e o poente...
quero seguir em frente
até me encontrar.

Gilberto Felinto.




sábado, 25 de novembro de 2017

TEMPO DE ÁGUAS



Uma poça -
Tempo de águas-
Que tenaz escorrem.
Ócio maré margem léu
Beira me brecha de céu
 dormem nublam
Sangram chovem.

O cimo fenda clareira
O chão condão veste esteira
Que insta perenemente.
Vaga me eira sem Beira
Cai conto canto e ladeira
Perene rio sigo enchente.

Gilberto Felinto.

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

TOCANDO COM MINHA BANDA...VELHOS E TAIS

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

FILOSOPOESIA

Arme-se ou se indigne!
"lutar com a palavra é a luta mais vã"

Não cultuo cinzas da dor que me erodiu
preservo o fogo nas palavras
sem ilusões e abracadabras
Minha frugal ferramenta é o sonhar
na luta vã é a poesia a quem recorro
nela que nasço me refaço vivo e morro
me estremece me revela e me apura
é pecadilho eventual minha aventura
minha homeopatia,é a dor e a cura,
é meu legítimo pedido de socorro
se hoje a dor do dia o interpela
e no caminho o temporal o estarrece
o que espezinha sua exausta anatomia
pode impelir sua real filosofia
o corpo pena mas no fundo a alma cresce
Prefiro a estranheza ao velho mito
no meu espanto verso e vivo em forte grito
e no assombro se renova minha estreia
deixo pra trás o cemitério dos jargões
para aprender a cada dia mais lições
quero viver cada momento uma odisseia.

                                                   Gilberto Felinto

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

AMOR MAR DE MISTÉRIOS


Nesse biombo cerrado da ilusão
recolho as pétalas de sombra
que me sobram

retomo o dia em busca de um instante solar
sem intempestiva paixão
só ressonância de adeus
uníssona à dor

entre brumas de silêncio
dissimula-se a perda

sem o olhar luminoso do sol
 a cor é rude penumbra de nós
 equivocada cor me deu retinas do sonhar
veredas abertas e avessas aos pés

o mar é mistérios
nós ondas em febre que veleja
águas breves de espumas
e outras tantas que sangram o arrebol
mas todas anoitecem águas
paradas e frias
e silenciosas
e salgadas
e sós.

        Gilberto Felinto

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

DAS SOMBRAS E ASSOMBROS

Fora de mim
o império do mundo
 a amoldar - me à moda
ao modo hipnótico de suas matizes.

vivo nem sei se vivo
- nos fragmentos de suas paragens -
como um fantasma esquecido
num tempo sem memórias

- em sua casa de concreto -
dorme o inviolável silêncio
das angústias lajotadas

em nuvem e brisa me desenha
o dia de sonho

me esconde o véu,as cinzas e silêncio,

depois, cinge - me a vida,
singelamente derrotado.

o tédio ata as mãos da tarde
pesa o viver sobre os meus ombros

no coração um sol que arde
e a ilusão sob os escombros

me falta a sua claridade
me sobram sombras e assombros.

                         Gilberto Felinto.

SAL DO TEMPO


O que faço entre penumbra e luz
sem minha transparência ?

alheio a meus contornos
cortejo a luz do instante

do afeto do afago

do que o fogo deixou em mim
antes da senzala e das cinzas.

se a mesma luz que se ensimesma
entre minhas ruínas
foi clara evidência da cor

diviso ao sal do tempo
um céu de amor.

                     Gilberto Felinto