sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

DESASSOSSEGO

Roubo a chave do sossego,
me desassossego.
Meu coração por inteiro,
traveste-se viageiro,
quanto mais vejo me cego.

Sinto de repente pouco
- eu e o mundo a meu redor -
Meu coração de tão oco
sabe o vazio de cór.

Gilberto Felinto.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

SUPEFÍCIE

A superfície que colori a água
 é uma ilusão da luz
como a superfície da alma
que a tudo seduz

a superfície da mão que´tateia
num ralo sentir me entremeia
 entre o tocar e o existir

a superfície de ser e estar
precede o encontrar em sí
uma existência

a superfície do amor
é um eriçar da penugem
rala penugem que se renova
a cada dia

a superfície de nós ?
nossa incerteza de amar
em inteireza

                                  Gilberto Felinto.

domingo, 30 de novembro de 2014

email: gilbertofelintofelinto@yahoo.com.br

sábado, 29 de novembro de 2014

A INVEJA


Desejo, energia que fomenta febre,
e que inunda a sala e que deforma os rostos
segrega e intoxica a olhos postos
no alheio não há quem se celebre

ser como o outro ter o que o outro tem.
faz alusões, a ironia imita os traços
no odor nauseante dos carrascos.
Prima só por aquilo que convém.

Tua aura exterior já te consomes
o alheio estimula seduz tenta.
Quanto mais aparece mais te somes
 nunca alenta esta alma desatenta.

 repelir o desejo  ou Desmerecê-lo
Como sê-lo ?Como sê-lo, se hás sido outro ?
E se prendê-lo jamais te terás  solto
há séculos que tu és tu não podes sê-lo

No  recuo ,de raiva , de renúncia,
a exigência de julgar, em cima em baixo,
quanto vale o que ainda não me encaixo
quão melhor ou pior tua pronúncia
 me confronte se há qualidade e mérito
ou bata em retirada do confronto
pois num breve segundo te desmonto
da calúnia do rancor e do demérito

A Inveja é atraso estratagema
retirada do confronto que o humilha
isolado pra ver se a alma brilha
mesmo assim se debate prisioneira
pois quem quer ter a eira e a tribeira
faz primeiro o pilar e se partilha

desejar e julgar, são as pilastras
aspirar e perder, o seu naufrágio
nada é retilíneo e imutável
só corremos e corremos e paramos
sem saber,nem bem mesmo aonde estamos
só sabemos que nada é imperturbável

:
e tentativas e erros  e recuos e avanços
são o fluxo vital da exploração
 o saber da derrota e aceitação
ou a força  onipresente do querer ?
se não em ti onde mais te podes ter
se a idéia de se ser prevê ação

                                Gilberto Felinto

terça-feira, 11 de novembro de 2014

A METÁFORA DO VIVER


                                   "viver é navegar"

Demora-se à porta -
a ilusão -
escreve em língua
 opaca e densa
a metáfora do viver

não quer que eu tisne
com a melancolia
seu mundo prenhe
de ornamentos

precário e atroz
o destino
desde de menino legiferante
me diz :
"devagarinho se vai ao longe"

inapelavelmente
quer que eu desmonte
as armadilhas do acaso
e para parecer real
me iludiu persistente

eu outsider
a verossimilhança de navalha
tremulo a mão
a bandeira do sonhar
lanço festim
toco clarim
sirvo-me assim:
poeta tosco.

          Gilberto Felinto

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

O ÁTRIO E O OCO

Não há só junturas no corpo
e suas sedes de sinóvia

há o mover cinestésico
 e a rebeldia da carne

o entrelaçar das fibras
cogitando o breve
 enturgercer das veias
a escoar a febre

Não há só ruturas no dorso do poema
um aneurisma sequer sangra palavra
porque de átrio e de oco
todo verso tem um pouco
quando a dor é pulsionada.

                                 Gilberto Felinto.


MINHAS CRUZADAS I



 Não encaro velhas lendas
lido com magos donzelas
desde de menino bizarro e bizantino
pinto aquarelas

sou Lancelot sem távola
cruzo cruzadas mito e real
pus na ferrugem de insônias
minhas manias medonhas
de homem medieval

sob o sol mais inclemente
meu sertão árido e vasto
é de mim séquito e carrasco
o meu chão mais aparente

cavaleiro impenitente
lutando contra o cansaço
ergo minha escalibur
como um jovem rei arthur
réu das escolhas que faço.

                             Gilberto Felinto
 


                                  

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

O TEMPO

O tempo é testemunho.
O tempo é movediço.
Um moinho de horas.

O tempo escoa o dia
num triste e tardo toque
me despertam modorrentas horas

sou eu quem acorda ou o tempo dorme em mim
sua noite assombrada

e o tempo permanece o tempo o tempo todo
quando o intento é viver

move-se o ponteiro
 ou quem no desespero o exaspera?
morre-se o amor
 ou quem de tanto amar se desespera?

tive tempo de amar o tempo
...mas cronometrei as enfadonhas horas
e as horas sabidas não tidas nem vividas
são perdidas ...se demoram.

                                        Gilberto Felinto.

domingo, 3 de agosto de 2014

QUEBRA-MARES

A quem não ama
o dia é mutilado
despropósito

escala seu mural de êxito
a alma confinada

nem desconfia da febre que inebria o homem

no quebra-mares da razão
teme a paixão e seus temporais desabridos

se iluminasse a lanterna do querer
veria seus fantasmas nas ruínas
dias sem cor e madrugadas melancólicas

olha os desvãos obscuros
em sua casa de degredos
rangentes tábuas do seu chão aparente

e sorrí dos que amam
antes que o amor o contamine.

                                 Gilberto Felinto


QUEBRA-MARES

A quem não ama
o dia é mutilado
despropósito

escala seu mural de êxito
a alma confinada

nem desconfia da febre que inebria o homem

no quebra-mares da razão
teme a paixão e seus temporais desabridos

se iluminasse a lanterna do querer
veria seus fantasmas nas ruínas
dias sem cor e madrugadas melancólicas

olha os desvão obscuros
em sua casa de degredos
rangentes tábuas do seu chão aparente

e sorrí dos que amam
antes que o amor o contamine.

                                 Gilberto Felinto


sábado, 2 de agosto de 2014

TEMPERANÇA

Tive a rijeza do aço
até que o dia adverso
conferiu-me têmpera,
esperança

e na sutileza do sonho
avigorou-me os braços
dando aos abraços mais firmeza

amainou-me a aspereza
dos apetites e paixões
e aclarou mistérios
que antes deletérios
confinavam emoções

por fim
num astral altérrimo
fez- me inteiro verso
verbo e coração.


                         Gilberto Felinto



,

EM DEMASIA O VENTO







O vento
é no momento
uma poesia invisível
um bafo úmido
uma vela que naufraga
abicando à praia
espraiando à janela
exalando silencio
quero curtir a inexistencia do vento
que é um sentido invisível como um deus
quero a aspereza da tempestade
que precede a calmaria
eu barco fremindo o ar anuviado da dor
eu disfarçado
eu mascarado
eu contradito
eu que me encaro e não costumo me ver
em demasia eu vento
entrando pelas basculantes
vasto e revolto
eu brisa e poesia.

Gilberto Felinto

NA TEIA DO POEMA



Hoje

derreado em meu divã
sopeso a palavra
engrazado na teia rude do poema
sou presa fácil
consumindo o gravíssimo segundo
que separa presa e predador
bamboleante
espero o pensamento
predador de sonhos
imaterial mas visibilíssimo
aos olhos da fé
de um ateu apavorado
e chega gargalhando
com senso de humor afiadíssimo
a me dizimar dilemas
caleidoscópio
girando palavras
entrelaçamentos
brevíssimo como o beijo da felicidade
altérrimo como formiga sopeada
sob a cega insensibilidade de meus pés.
      
                                               Gilberto Felinto






segunda-feira, 3 de março de 2014

ESTAÇÃO DO FIM

quão forte fogo reacende o amor
se modorrento o sol no horizonte pousa?
se o vento frio e insano volveu qualquer coisa
e a estação do sonho perdeu toda cor

que vento fértil poliniza a flor
se o amor enfim perdeu o  encanto?
dando ensejo só a um agro pranto
e o silencio frio que precede a dor

na estação do fim fica a tristeza
e em coros ermos canta a natureza
da flor que morre se destila a essência

na estação do fim o sonho desfalcado
bebe veneno a dor do lábio profanado
congela o peito e vive a aparência.

                                     Gilberto Felinto.





domingo, 2 de março de 2014

ENLACE



que espelho sonha a face
se o ser em todo enlace
se revela solidão

quem define esse empasse
se entre luz e o contraste
vimos só a ilusão

feliz anêmona a brincar no mar
sua existência sutil

se é mais feliz vagar e naufragar
meu mundo subtil
no subilino e obscuro
desejo de amar

verso o vazio.
                                                     Gilberto Felinto.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

ALFORJE DOS SONHOS


A voz tão presa verso e alma sussurrada
aquele cujo coração ruína invade
carrega de tormento a eternidade
na ambição de ser ,o é,a dor fadada

e o acaso opera seus mistérios
na gangorra do céu deus brinca de pecado
e o homem que dorme o sonho malogrado
vinga-se no imaginário céu seus impropérios

amealha entre os dedos debochados
e o alforje de sonhos joga fora
numa noite solene aos aclamados
o anjo dorme e o monstro se aflora

se semear o amor é tolo intento
se a ópera do prazer é vão momento
quero tolo morrer no esquecimento.

                                    Gilberto Felinto


sábado, 25 de janeiro de 2014

À DERIVA

A esperança vaga estreita e densa
encerra seu riso em calabouço infame
sem sucesso busca por alguém que ame
com olhar tão verdadeiro que a convença

a persigo em vão de mim se afasta
consumindo a noite úmida e vasta
 do meu verso vil já não se alenta

A esperança vê por esses rios
dormirem seus navios
ela é vaga tristeza em mar tão largo

onde  imenso ócio imerge frio
veleja à deriva em mar bravio
e morre silêncio em lodo amargo.

                                 Gilberto Felinto


terça-feira, 21 de janeiro de 2014

ESBOÇO A GIZ

Se entrelinhas
oculto meu absurdo
vago palavra surda
sem sintaxe
em véspera de mim

nas  mãos assim
sem régua e sem compasso
me reinvento e me refaço
sou esboço enfim

vivo por um triz
sobro-me arte a giz
a cada gesto me traço

me constatei infeliz
e meu retrato refiz
na vastidão de um abraço.

                              Gilberto Felinto.







sábado, 18 de janeiro de 2014

O SONHADOR

O sonhador voeja
onde quer que esteja
e de seu sonho alvissareiro
é o maior mensageiro
de tudo que ele deseja

O sonhador voeja
e onde quer que veja
o olhar é verdadeiro
ébrio de encanto inteiro
em tudo que ele enseja

a  deperecida  alma se restaura
onde irradia , imanta e ferve .
partilhando sonho em sua aura

O primor da vida o olhar namora
acende a paixão e  se transmuda
em tudo que o faz excelso agora.

                               Gilberto Felinto




segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

A LÍRICA DO SOM


Versa-se o timbre
inaudito da alma
que a voz infiltra e afina
abranda e lavra

Versa-se o enleio
que a corda vibra e estala
e o coração da gente
ao doce acorde se regala

Versa entre nós ponte de som
 e o eco emana

e o amor conclama
 lírica noite se transcende em dom.

                             Gilberto Felinto.







domingo, 12 de janeiro de 2014

UM REVÉRBERO CANTO

Quem deserdado do amor
triste coabita
no seio fremente
a esperança vibra
se acende o olhar sol inclemente
se revela paixão ávida viva

de um revérbero canto arde o instinto
do clarim e do sol se arde chama
pra sair desse amargo labirinto

és clamor cálice que contém o viço
sede atroz que o fulgor da chama tece
és amor escarnado de feitiço.

                               Gilberto Felinto.