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Mostrando postagens de 2014

DESASSOSSEGO

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Roubo a chave do sossego,
me desassossego.
Meu coração por inteiro,
traveste-se viageiro,
quanto mais vejo me cego.

Sinto de repente pouco
- eu e o mundo a meu redor -
Meu coração de tão oco
sabe o vazio de cór.

Gilberto Felinto.

SUPEFÍCIE

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A superfície que colori a água
 é uma ilusão da luz
como a superfície da alma
que a tudo seduz

a superfície da mão que´tateia
num ralo sentir me entremeia
 entre o tocar e o existir

a superfície de ser e estar
precede o encontrar em sí
uma existência

a superfície do amor
é um eriçar da penugem
rala penugem que se renova
a cada dia

a superfície de nós ?
nossa incerteza de amar
em inteireza

                                  Gilberto Felinto.

email: gilbertofelintofelinto@yahoo.com.br

A INVEJA

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Desejo, energia que fomenta febre,
e que inunda a sala e que deforma os rostos
segrega e intoxica a olhos postos
no alheio não há quem se celebre

ser como o outro ter o que o outro tem.
faz alusões, a ironia imita os traços
no odor nauseante dos carrascos.
Prima só por aquilo que convém.

Tua aura exterior já te consomes
o alheio estimula seduz tenta.
Quanto mais aparece mais te somes
 nunca alenta esta alma desatenta.

 repelir o desejo  ou Desmerecê-lo
Como sê-lo ?Como sê-lo, se hás sido outro ?
E se prendê-lo jamais te terás  solto
há séculos que tu és tu não podes sê-lo

No  recuo ,de raiva , de renúncia,
a exigência de julgar, em cima em baixo,
quanto vale o que ainda não me encaixo
quão melhor ou pior tua pronúncia
 me confronte se há qualidade e mérito
ou bata em retirada do confronto
pois num breve segundo te desmonto
da calúnia do rancor e do demérito

A Inveja é atraso estratagema
retirada do confronto que o humilha
isolado pra ver se a alma brilha
mesmo assim se debate prision…

A METÁFORA DO VIVER

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"viver é navegar"

Demora-se à porta -
a ilusão -
escreve em língua
 opaca e densa
a metáfora do viver

não quer que eu tisne
com a melancolia
seu mundo prenhe
de ornamentos

precário e atroz
o destino
desde de menino legiferante
me diz :
"devagarinho se vai ao longe"

inapelavelmente
quer que eu desmonte
as armadilhas do acaso
e para parecer real
me iludiu persistente

eu outsider
a verossimilhança de navalha
tremulo a mão
a bandeira do sonhar
lanço festim
toco clarim
sirvo-me assim:
poeta tosco.

          Gilberto Felinto

O ÁTRIO E O OCO

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Não há só junturas no corpo
e suas sedes de sinóvia

há o mover cinestésico
 e a rebeldia da carne

o entrelaçar das fibras
cogitando o breve
 enturgercer das veias
a escoar a febre

Não há só ruturas no dorso do poema
um aneurisma sequer sangra palavra
porque de átrio e de oco
todo verso tem um pouco
quando a dor é pulsionada.

                                 Gilberto Felinto.


MINHAS CRUZADAS I

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O TEMPO

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O tempo é testemunho.
O tempo é movediço.
Um moinho de horas.

O tempo escoa o dia
num triste e tardo toque
me despertam modorrentas horas

sou eu quem acorda ou o tempo dorme em mim
sua noite assombrada

e o tempo permanece o tempo o tempo todo
quando o intento é viver

move-se o ponteiro
 ou quem no desespero o exaspera?
morre-se o amor
 ou quem de tanto amar se desespera?

tive tempo de amar o tempo
...mas cronometrei as enfadonhas horas
e as horas sabidas não tidas nem vividas
são perdidas ...se demoram.

                                        Gilberto Felinto.

QUEBRA-MARES

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A quem não ama
o dia é mutilado
despropósito

escala seu mural de êxito
a alma confinada

nem desconfia da febre que inebria o homem

no quebra-mares da razão
teme a paixão e seus temporais desabridos

se iluminasse a lanterna do querer
veria seus fantasmas nas ruínas
dias sem cor e madrugadas melancólicas

olha os desvãos obscuros
em sua casa de degredos
rangentes tábuas do seu chão aparente

e sorrí dos que amam
antes que o amor o contamine.

                                 Gilberto Felinto


QUEBRA-MARES

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A quem não ama
o dia é mutilado
despropósito

escala seu mural de êxito
a alma confinada

nem desconfia da febre que inebria o homem

no quebra-mares da razão
teme a paixão e seus temporais desabridos

se iluminasse a lanterna do querer
veria seus fantasmas nas ruínas
dias sem cor e madrugadas melancólicas

olha os desvão obscuros
em sua casa de degredos
rangentes tábuas do seu chão aparente

e sorrí dos que amam
antes que o amor o contamine.

                                 Gilberto Felinto


TEMPERANÇA

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Tive a rijeza do aço
até que o dia adverso
conferiu-me têmpera,
esperança

e na sutileza do sonho
avigorou-me os braços
dando aos abraços mais firmeza

amainou-me a aspereza
dos apetites e paixões
e aclarou mistérios
que antes deletérios
confinavam emoções

por fim
num astral altérrimo
fez- me inteiro verso
verbo e coração.


                         Gilberto Felinto



,

EM DEMASIA O VENTO

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NA TEIA DO POEMA

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ESTAÇÃO DO FIM

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quão forte fogo reacende o amor
se modorrento o sol no horizonte pousa?
se o vento frio e insano volveu qualquer coisa
e a estação do sonho perdeu toda cor

que vento fértil poliniza a flor
se o amor enfim perdeu o  encanto?
dando ensejo só a um agro pranto
e o silencio frio que precede a dor

na estação do fim fica a tristeza
e em coros ermos canta a natureza
da flor que morre se destila a essência

na estação do fim o sonho desfalcado
bebe veneno a dor do lábio profanado
congela o peito e vive a aparência.

                                     Gilberto Felinto.





ENLACE

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ALFORJE DOS SONHOS

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A voz tão presa verso e alma sussurrada
aquele cujo coração ruína invade
carrega de tormento a eternidade
na ambição de ser ,o é,a dor fadada

e o acaso opera seus mistérios
na gangorra do céu deus brinca de pecado
e o homem que dorme o sonho malogrado
vinga-se no imaginário céu seus impropérios

amealha entre os dedos debochados
e o alforje de sonhos joga fora
numa noite solene aos aclamados
o anjo dorme e o monstro se aflora

se semear o amor é tolo intento
se a ópera do prazer é vão momento
quero tolo morrer no esquecimento.

                                    Gilberto Felinto


À DERIVA

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A esperança vaga estreita e densa
encerra seu riso em calabouço infame
sem sucesso busca por alguém que ame
com olhar tão verdadeiro que a convença

a persigo em vão de mim se afasta
consumindo a noite úmida e vasta
 do meu verso vil já não se alenta

A esperança vê por esses rios
dormirem seus navios
ela é vaga tristeza em mar tão largo

onde  imenso ócio imerge frio
veleja à deriva em mar bravio
e morre silêncio em lodo amargo.

                                 Gilberto Felinto


ESBOÇO A GIZ

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Se entrelinhas
oculto meu absurdo
vago palavra surda
sem sintaxe
em véspera de mim

nas  mãos assim
sem régua e sem compasso
me reinvento e me refaço
sou esboço enfim

vivo por um triz
sobro-me arte a giz
a cada gesto me traço

me constatei infeliz
e meu retrato refiz
na vastidão de um abraço.

                              Gilberto Felinto.







O SONHADOR

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O sonhador voeja
onde quer que esteja
e de seu sonho alvissareiro
é o maior mensageiro
de tudo que ele deseja

O sonhador voeja
e onde quer que veja
o olhar é verdadeiro
ébrio de encanto inteiro
em tudo que ele enseja

a  deperecida  alma se restaura
onde irradia , imanta e ferve .
partilhando sonho em sua aura

O primor da vida o olhar namora
acende a paixão e  se transmuda
em tudo que o faz excelso agora.

                               Gilberto Felinto




A LÍRICA DO SOM

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Versa-se o timbre
inaudito da alma
que a voz infiltra e afina
abranda e lavra

Versa-se o enleio
que a corda vibra e estala
e o coração da gente
ao doce acorde se regala

Versa entre nós ponte de som
 e o eco emana

e o amor conclama
 lírica noite se transcende em dom.

                             Gilberto Felinto.







UM REVÉRBERO CANTO

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Quem deserdado do amor
triste coabita
no seio fremente
a esperança vibra
se acende o olhar sol inclemente
se revela paixão ávida viva

de um revérbero canto arde o instinto
do clarim e do sol se arde chama
pra sair desse amargo labirinto

és clamor cálice que contém o viço
sede atroz que o fulgor da chama tece
és amor escarnado de feitiço.

                               Gilberto Felinto.