quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

ALFORJE DOS SONHOS


A voz tão presa verso e alma sussurrada
aquele cujo coração ruína invade
carrega de tormento a eternidade
na ambição de ser ,o é,a dor fadada

e o acaso opera seus mistérios
na gangorra do céu deus brinca de pecado
e o homem que dorme o sonho malogrado
vinga-se no imaginário céu seus impropérios

amealha entre os dedos debochados
e o alforje de sonhos joga fora
numa noite solene aos aclamados
o anjo dorme e o monstro se aflora

se semear o amor é tolo intento
se a ópera do prazer é vão momento
quero tolo morrer no esquecimento.

                                    Gilberto Felinto


sábado, 25 de janeiro de 2014

À DERIVA

A esperança vaga estreita e densa
encerra seu riso em calabouço infame
sem sucesso busca por alguém que ame
com olhar tão verdadeiro que a convença

a persigo em vão de mim se afasta
consumindo a noite úmida e vasta
 do meu verso vil já não se alenta

A esperança vê por esses rios
dormirem seus navios
ela é vaga tristeza em mar tão largo

onde  imenso ócio imerge frio
veleja à deriva em mar bravio
e morre silêncio em lodo amargo.

                                 Gilberto Felinto


terça-feira, 21 de janeiro de 2014

ESBOÇO A GIZ

Se entrelinhas
oculto meu absurdo
vago palavra surda
sem sintaxe
em véspera de mim

nas  mãos assim
sem régua e sem compasso
me reinvento e me refaço
sou esboço enfim

vivo por um triz
sobro-me arte a giz
a cada gesto me traço

me constatei infeliz
e meu retrato refiz
na vastidão de um abraço.

                              Gilberto Felinto.







sábado, 18 de janeiro de 2014

O SONHADOR

O sonhador voeja
onde quer que esteja
e de seu sonho alvissareiro
é o maior mensageiro
de tudo que ele deseja

O sonhador voeja
e onde quer que veja
o olhar é verdadeiro
ébrio de encanto inteiro
em tudo que ele enseja

a  deperecida  alma se restaura
onde irradia , imanta e ferve .
partilhando sonho em sua aura

O primor da vida o olhar namora
acende a paixão e  se transmuda
em tudo que o faz excelso agora.

                               Gilberto Felinto




segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

A LÍRICA DO SOM


Versa-se o timbre
inaudito da alma
que a voz infiltra e afina
abranda e lavra

Versa-se o enleio
que a corda vibra e estala
e o coração da gente
ao doce acorde se regala

Versa entre nós ponte de som
 e o eco emana

e o amor conclama
 lírica noite se transcende em dom.

                             Gilberto Felinto.







domingo, 12 de janeiro de 2014

UM REVÉRBERO CANTO

Quem deserdado do amor
triste coabita
no seio fremente
a esperança vibra
se acende o olhar sol inclemente
se revela paixão ávida viva

de um revérbero canto arde o instinto
do clarim e do sol se arde chama
pra sair desse amargo labirinto

és clamor cálice que contém o viço
sede atroz que o fulgor da chama tece
és amor escarnado de feitiço.

                               Gilberto Felinto.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

VESTÍGIOS DO AMOR

Não há vestígios de sol
e a lua erma
engastada espera
um capricho desse astro embotado
que vaga no céu eclipsado
pela ausência de  atmosfera

Não há vestígios do amor
em noites taciturnas
só o olhar apático das nuvens densas
entremeia o ar das solidões suspensas
e nelas vertem suas áureas turvas

o sono é de milagres plenos
e o sonho que arquiteta fantasias
deixa os viveres mais amenos

acorda meus cantares teus acenos
são brumas refinando as pedrarias
 faz meus toscos olhares mais serenos.

                      Gilberto Felinto.












O ENTRE-TIDO

Sublimo a palavra sublime
em verso tosco
o tempo se incumbe sabiamente do viver
ri da mágoa funda

pude viver sem véus
mas não sem vícios
(entre parênteses)
onde o tempo desafia as dores

o amor
 não cala seu rumor
já me entre-tem a mágoa extasiada
e morre,
 enfim,
 antes que eu nasça.

                       Gilberto Felinto.

CÉU FULGUROSO

Esse ar peregrino
 traz o enigma e o incerto
me enleia o peito deserto
com seu recheio divino

 o distante se faz perto
com sua alma de seda
alegre risonha leda
estou sonhando dicerto

e o sol da tarde
pleno no céu curioso
contempla silencioso
te absorve brilha e arde

voce em meu céu de tarde
brilho clarão fulguroso.

                          Gilberto Felinto.








segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

NACO DE COSMOS

Um resto de estrelas
Um naco de cosmos

-no fecho do olho
 nutro a lágrima-

Bebo na brasa do sol
 minha enésima dose de luz
-sonho com a cor-

graveto grifando a paisagem

sombreio...
no esfuminho do tempo...
o carvão da vida.

-eu eterno e único-
Nada.
                                      Gilberto Felinto.