domingo, 3 de agosto de 2014

QUEBRA-MARES

A quem não ama
o dia é mutilado
despropósito

escala seu mural de êxito
a alma confinada

nem desconfia da febre que inebria o homem

no quebra-mares da razão
teme a paixão e seus temporais desabridos

se iluminasse a lanterna do querer
veria seus fantasmas nas ruínas
dias sem cor e madrugadas melancólicas

olha os desvãos obscuros
em sua casa de degredos
rangentes tábuas do seu chão aparente

e sorrí dos que amam
antes que o amor o contamine.

                                 Gilberto Felinto


QUEBRA-MARES

A quem não ama
o dia é mutilado
despropósito

escala seu mural de êxito
a alma confinada

nem desconfia da febre que inebria o homem

no quebra-mares da razão
teme a paixão e seus temporais desabridos

se iluminasse a lanterna do querer
veria seus fantasmas nas ruínas
dias sem cor e madrugadas melancólicas

olha os desvão obscuros
em sua casa de degredos
rangentes tábuas do seu chão aparente

e sorrí dos que amam
antes que o amor o contamine.

                                 Gilberto Felinto


sábado, 2 de agosto de 2014

TEMPERANÇA

Tive a rijeza do aço
até que o dia adverso
conferiu-me têmpera,
esperança

e na sutileza do sonho
avigorou-me os braços
dando aos abraços mais firmeza

amainou-me a aspereza
dos apetites e paixões
e aclarou mistérios
que antes deletérios
confinavam emoções

por fim
num astral altérrimo
fez- me inteiro verso
verbo e coração.


                         Gilberto Felinto



,

EM DEMASIA O VENTO







O vento
é no momento
uma poesia invisível
um bafo úmido
uma vela que naufraga
abicando à praia
espraiando à janela
exalando silencio
quero curtir a inexistencia do vento
que é um sentido invisível como um deus
quero a aspereza da tempestade
que precede a calmaria
eu barco fremindo o ar anuviado da dor
eu disfarçado
eu mascarado
eu contradito
eu que me encaro e não costumo me ver
em demasia eu vento
entrando pelas basculantes
vasto e revolto
eu brisa e poesia.

Gilberto Felinto

NA TEIA DO POEMA



Hoje

derreado em meu divã
sopeso a palavra
engrazado na teia rude do poema
sou presa fácil
consumindo o gravíssimo segundo
que separa presa e predador
bamboleante
espero o pensamento
predador de sonhos
imaterial mas visibilíssimo
aos olhos da fé
de um ateu apavorado
e chega gargalhando
com senso de humor afiadíssimo
a me dizimar dilemas
caleidoscópio
girando palavras
entrelaçamentos
brevíssimo como o beijo da felicidade
altérrimo como formiga sopeada
sob a cega insensibilidade de meus pés.
      
                                               Gilberto Felinto