QUEBRA-MARES

A quem não ama
o dia é mutilado
despropósito

escala seu mural de êxito
a alma confinada

nem desconfia da febre que inebria o homem

no quebra-mares da razão
teme a paixão e seus temporais desabridos

se iluminasse a lanterna do querer
veria seus fantasmas nas ruínas
dias sem cor e madrugadas melancólicas

olha os desvãos obscuros
em sua casa de degredos
rangentes tábuas do seu chão aparente

e sorrí dos que amam
antes que o amor o contamine.

                                 Gilberto Felinto


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