sexta-feira, 31 de outubro de 2014

O ÁTRIO E O OCO

Não há só junturas no corpo
e suas sedes de sinóvia

há o mover cinestésico
 e a rebeldia da carne

o entrelaçar das fibras
cogitando o breve
 enturgercer das veias
a escoar a febre

Não há só ruturas no dorso do poema
um aneurisma sequer sangra palavra
porque de átrio e de oco
todo verso tem um pouco
quando a dor é pulsionada.

                                 Gilberto Felinto.


MINHAS CRUZADAS I



 Não encaro velhas lendas
lido com magos donzelas
desde de menino bizarro e bizantino
pinto aquarelas

sou Lancelot sem távola
cruzo cruzadas mito e real
pus na ferrugem de insônias
minhas manias medonhas
de homem medieval

sob o sol mais inclemente
meu sertão árido e vasto
é de mim séquito e carrasco
o meu chão mais aparente

cavaleiro impenitente
lutando contra o cansaço
ergo minha escalibur
como um jovem rei arthur
réu das escolhas que faço.

                             Gilberto Felinto
 


                                  

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

O TEMPO

O tempo é testemunho.
O tempo é movediço.
Um moinho de horas.

O tempo escoa o dia
num triste e tardo toque
me despertam modorrentas horas

sou eu quem acorda ou o tempo dorme em mim
sua noite assombrada

e o tempo permanece o tempo o tempo todo
quando o intento é viver

move-se o ponteiro
 ou quem no desespero o exaspera?
morre-se o amor
 ou quem de tanto amar se desespera?

tive tempo de amar o tempo
...mas cronometrei as enfadonhas horas
e as horas sabidas não tidas nem vividas
são perdidas ...se demoram.

                                        Gilberto Felinto.