domingo, 30 de novembro de 2014

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sábado, 29 de novembro de 2014

A INVEJA


Desejo, energia que fomenta febre,
e que inunda a sala e que deforma os rostos
segrega e intoxica a olhos postos
no alheio não há quem se celebre

ser como o outro ter o que o outro tem.
faz alusões, a ironia imita os traços
no odor nauseante dos carrascos.
Prima só por aquilo que convém.

Tua aura exterior já te consomes
o alheio estimula seduz tenta.
Quanto mais aparece mais te somes
 nunca alenta esta alma desatenta.

 repelir o desejo  ou Desmerecê-lo
Como sê-lo ?Como sê-lo, se hás sido outro ?
E se prendê-lo jamais te terás  solto
há séculos que tu és tu não podes sê-lo

No  recuo ,de raiva , de renúncia,
a exigência de julgar, em cima em baixo,
quanto vale o que ainda não me encaixo
quão melhor ou pior tua pronúncia
 me confronte se há qualidade e mérito
ou bata em retirada do confronto
pois num breve segundo te desmonto
da calúnia do rancor e do demérito

A Inveja é atraso estratagema
retirada do confronto que o humilha
isolado pra ver se a alma brilha
mesmo assim se debate prisioneira
pois quem quer ter a eira e a tribeira
faz primeiro o pilar e se partilha

desejar e julgar, são as pilastras
aspirar e perder, o seu naufrágio
nada é retilíneo e imutável
só corremos e corremos e paramos
sem saber,nem bem mesmo aonde estamos
só sabemos que nada é imperturbável

:
e tentativas e erros  e recuos e avanços
são o fluxo vital da exploração
 o saber da derrota e aceitação
ou a força  onipresente do querer ?
se não em ti onde mais te podes ter
se a idéia de se ser prevê ação

                                Gilberto Felinto

terça-feira, 11 de novembro de 2014

A METÁFORA DO VIVER


                                   "viver é navegar"

Demora-se à porta -
a ilusão -
escreve em língua
 opaca e densa
a metáfora do viver

não quer que eu tisne
com a melancolia
seu mundo prenhe
de ornamentos

precário e atroz
o destino
desde de menino legiferante
me diz :
"devagarinho se vai ao longe"

inapelavelmente
quer que eu desmonte
as armadilhas do acaso
e para parecer real
me iludiu persistente

eu outsider
a verossimilhança de navalha
tremulo a mão
a bandeira do sonhar
lanço festim
toco clarim
sirvo-me assim:
poeta tosco.

          Gilberto Felinto