quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

GRITOS AMENOS

Se o retiro do silêncio
te sufoca e amordaça

veste a nudez da palavra que te dá conforto
despe a razão do sentido que te vocifera

reja o cio dessas vozes que represam o canto
nas cisternas rasas das almas amargas

-cante a dor incontida das que reverberam-

fale os falares fictícios desses  tolos amantes
e acredite na incerteza vã de suas travessuras

beba o céu de pureza das almas impuras
jamais fel de cicuta shakespeariana

não se crispe ante a pose dos positivistas
não se curve ante a posse dos  impossuídos

o silêncio só emudece quem nada tem a dizer
diga gritos amenos... a menos que queira dizer o indizível.

                                     
            Gilberto Felinto


AOS PORQUÊS

Sempre me entre-tenho entre porquês
e acedo à escola das corriqueiras coisas

apreendo o calor e o aquiesço
quando à flama fervente
a língua péla

quando aguarda aguardente
a dor que não vela

e o amor se faz semente que não grela.

                          Gilberto Felinto