GRITOS AMENOS

Se o retiro do silêncio
te sufoca e amordaça

veste a nudez da palavra que te dá conforto
despe a razão do sentido que te vocifera

reja o cio dessas vozes que represam o canto
nas cisternas rasas das almas amargas

-cante a dor incontida das que reverberam-

fale os falares fictícios desses  tolos amantes
e acredite na incerteza vã de suas travessuras

beba o céu de pureza das almas impuras
jamais fel de cicuta shakespeariana

não se crispe ante a pose dos positivistas
não se curve ante a posse dos  impossuídos

o silêncio só emudece quem nada tem a dizer
diga gritos amenos... a menos que queira dizer o indizível.

                                     
            Gilberto Felinto


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