quarta-feira, 15 de abril de 2015

GOTA DE EXISTÊNCIA

A brevidade ecoa
nos meandros do ser
como uma víbora que instila a verdade
- madrasta vil do sonhar.

- a verdade é a insônia de Morfeu -

e inocula a ordem
nas veredas da rua,

e dá ciência a cada verdade
escondida em outra verdade contida
no seu árido saber,

e dorme no santuário dos olhos
como um anjo sem asa combalido.

O sonho exita
quando a febre
pari a evidencia da dor.

Protesta o caos -  a condoer-se do delito do instante-

Que tempo é esse de ponteiros estreitos
a bailar sua dança da morte
sobre minha intempestiva chuva de sonhares?

E o instante se assoberba com sua capa de cristal ,
frágil bailarino estreito e roto,

Pestaneja a breve luz
 e refunda uma memória
de um tempo que tive entre outros tempos que se evaporaram

Bebe uma gota de existência
a mais
no estéril cálice da cavilosa utopia
-  "o pecado  "- e mora no limbo das tentações
com sua fome intemporal

habitamos o instante
a festejar o vento

e depois de um brinde a Bacco

me resta um voo sem arestas
rumo a compaixão do sol.

                                      Gilberto Felinto


O RITUAL DO TEMPO


Que jardins pode semear na alma
o dócil coração do dia
débil do veneno estreito da espera?

Sua insular poesia
é um dócil vira-latas
revirando o lixo das ocasiões

Seu talismã são olhos de águia
envenenados no desejo de rapina

Sua solidão de sombra
- refratária ilusão do existir -
suas horas bárbaras consumidas
no sobejo decimal do beijo

sua carne atormentada 
cumpre o ritual do tempo
seus outonos de outros
suas primaveras e eras e eras
cruamente engolidas pelo relógio

somos o dia de espera...
nossas horas são pupas ávidas
sonhando o livre voo das libélulas.

                                     Gilberto Felinto.