O RITUAL DO TEMPO


Que jardins pode semear na alma
o dócil coração do dia
débil do veneno estreito da espera?

Sua insular poesia
é um dócil vira-latas
revirando o lixo das ocasiões

Seu talismã são olhos de águia
envenenados no desejo de rapina

Sua solidão de sombra
- refratária ilusão do existir -
suas horas bárbaras consumidas
no sobejo decimal do beijo

sua carne atormentada 
cumpre o ritual do tempo
seus outonos de outros
suas primaveras e eras e eras
cruamente engolidas pelo relógio

somos o dia de espera...
nossas horas são pupas ávidas
sonhando o livre voo das libélulas.

                                     Gilberto Felinto.







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